Como fazer uma boa confissão: guia prático e espiritual
08.Setembro.2025

A confissão é um dos momentos mais belos e transformadores da vida cristã. O sacramento da Penitência, também chamado de Reconciliação, é uma oportunidade concreta de experimentar a misericórdia de Deus. No entanto, muitas pessoas têm dúvidas sobre como fazer uma boa confissão: o que dizer, como se preparar e como viver, depois, os frutos desse encontro com o Senhor.
Neste artigo, vamos percorrer juntos alguns passos fundamentais para compreender e viver bem este sacramento, à luz da fé da Igreja.
O pecado e o arrependimento
Para entender a confissão, é essencial compreender antes o que é o pecado. O Catecismo da Igreja Católica ensina:“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a reta consciência; é uma falta de amor verdadeiro a Deus e ao próximo” (CIC, §1849).
Em outras palavras, o pecado não é apenas “quebrar uma regra”, mas ferir uma relação: com Deus, com os irmãos, consigo mesmo e com toda a criação.
O arrependimento é o primeiro passo para uma boa confissão. Ele nasce quando reconhecemos nossa fragilidade, deixamos de justificar nossos erros e pedimos a Deus a graça de mudar de vida. Como disse o saudoso Papa Francisco:“O Senhor nunca se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão” (Homilia, 17/03/2013).
O que é pecado?
A Igreja distingue entre duas formas principais de pecado:
Pecado mortal: é aquele que destrói a caridade no coração humano. Para ser considerado mortal, é necessário que a matéria seja grave, que haja plena consciência do que se faz e consentimento deliberado. Exemplos: homicídio, adultério, negar a fé.
Pecado venial: é aquele que enfraquece a amizade com Deus, mas não rompe totalmente essa relação. Pode ser, por exemplo, uma mentira sem intenção de prejudicar gravemente alguém. Saber distinguir esses dois tipos de pecado ajuda o cristão a se examinar melhor diante da confissão e a cultivar a vida de santidade no cotidiano.
O sacramento da Penitência
A confissão não é apenas um ato humano de desabafo, mas um verdadeiro sacramento instituído por Cristo. Após a ressurreição, Jesus soprou sobre os apóstolos e disse:
“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20,22-23).
Assim, a Igreja recebeu de Cristo a missão de ser sinal e instrumento de reconciliação. O sacerdote, quando acolhe o penitente, não age em nome próprio, mas como ministro da misericórdia de Deus.O Papa São João Paulo II ensinava:“O sacramento da Penitência é o tribunal da misericórdia mais do que da justiça” (Audiência Geral, 1981).
Passo a passo: Como fazer uma boa confissão
Fazer uma boa confissão exige preparação e sinceridade de coração. A tradição da Igreja nos oferece cinco passos:
Exame de consciência: Refletir, diante de Deus, sobre os pensamentos, palavras, ações e omissões, à luz dos Mandamentos e do Evangelho.
Arrependimento sincero: Reconhecer as próprias faltas e sentir verdadeira contrição, não por medo de castigo, mas por amor a Deus.
Confissão dos pecados: Aproximar-se do sacerdote, falar com humildade e clareza, sem esconder nada intencionalmente.
Ato de penitência: O padre propõe uma penitência, como oração ou obra de caridade, que ajuda a reparar o mal causado.
Absolvição: Pela oração do sacerdote, em nome de Cristo, recebemos o perdão e a graça de recomeçar.
Um exemplo de oração antes da confissão é o ato de contrição:
“Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração de Vos ter ofendido, porque sois tão bom e amável. Prometo, com a vossa graça, não pecar mais e evitar as ocasiões próximas de pecado.”
O perdão é um processo
A confissão não é um ponto final, mas um ponto de partida. Ao receber a absolvição, o cristão é chamado a viver um caminho de conversão contínua, cultivando hábitos novos e mais próximos do Evangelho.
O perdão é um processo: além de receber o sacramento, é importante rezar, vigiar, buscar acompanhamento espiritual e perseverar na prática do bem. “O sacramento da Penitência é uma nova chance para nos tornarmos de novo o que realmente somos: filhos de Deus e irmãos uns dos outros” (Homilia do papa Bento XVI, 2008).
Um auxílio prático para confessar-se sem medo
Muitas pessoas ainda sentem insegurança ou até mesmo vergonha de se aproximar do confessionário. Outras carregam sentimentos de culpa desnecessários ou vivem a confissão como uma obrigação sem sentido.
Para ajudar quem deseja aprender como fazer uma boa confissão, a Editora Ave-Maria recomenda a leitura do livro:
Crime, castigo e misericórdia: um guia para a confissão sem neuroses
Exame de consciência: Refletir, diante de Deus, sobre os pensamentos, palavras, ações e omissões, à luz dos Mandamentos e do Evangelho.
Arrependimento sincero: Reconhecer as próprias faltas e sentir verdadeira contrição, não por medo de castigo, mas por amor a Deus.
Confissão dos pecados: Aproximar-se do sacerdote, falar com humildade e clareza, sem esconder nada intencionalmente.
Ato de penitência: O padre propõe uma penitência, como oração ou obra de caridade, que ajuda a reparar o mal causado.
Absolvição: Pela oração do sacerdote, em nome de Cristo, recebemos o perdão e a graça de recomeçar.